Sou a criança de ontem, escondida hoje nos destroços do meu passado.
Sucateio meu presente. Barganho-o a tal ponto que já me dispo do futuro como se o tivesse vivido aqui e agora. Deleitoso prazer esse. Brincar de pique-esconde com as minhas emoções com a serenidade fingida dos que fingem ter amadurecido... Não passam de meninos e meninas nas fraldas... Um bando de crianças com narizes escorrendo, expondo meras verdades numa tarde qualquer de maio. Eu estou no meio delas, faço parte do quadro. Não me equilibro naquela parede opaca. Não me perduram por muito tempo. Vivo essa inconstância do que é breve. Cansa-me a espera na anti-sala. Tudo é tão fugaz!... Há pouca luz pra tanta arte. Pouca massa pra tanta máscara. Pouco tempo pra tanta vida...
Gersonita Paula

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